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Se a alma não é pequena

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“SE A ALMA NÃO É PEQUENA”
Uma contribuição sobre a história recente do movimento estudantil da Unicamp

(( Quando tiver um tempo, não o perca com boatos; leia este documento... ))

Nessas eleições para o DCE, temos acompanhado uma das chapas dizer que é “oposição às três últimas gestões”, que “As últimas três gestões do DCE se distanciaram dos estudantes e se fecharam cada vez mais em torno de si”. Há 7 meses sem gestão, o DCE e o movimento estudantil passam por um período de refluxo. Mas, esse momento deve ser entendido como um hiato conjuntural, pois esse estado não condiz com o movimento estudantil de 2002 (“O Público para o Público”) e de 2003 (“Domínio Público”).
Tanto é que o mesmo conjunto de pessoas que hoje emite esses juízos sobre a história recente do movimento estudantil, mesmo sendo “oposição às gestões do DCE” anteriores, analisava de maneira menos superficial aquelas duas gestões passadas. Vejamos: “Os últimos doze meses foram bastante densos para o movimento estudantil. Tivemos eleições para reitor, nosso país está em pleno processo eleitoral. Paralisações, festas. Estudantes da Arquitetura perseguidos. Companheiros espancados, alguns presos. Ocupação do CEL por mais vagas públicas nos cursos de língua estrangeira. Corte no repasse de alguns CAs [por parte da reitoria, como medida de retaliação]. Manifesta. Fomos chamados de incapazes por TODOS os candidatos a reitor. (...) Ah, ALCA. Mostramos força, força que até alguns de nós duvidávamos ter. Organizamo-nos, lutamos, apanhamos. Ganhamos. A excelente votação no Plebiscito [da ALCA] mostra isso. A nossa entidade geral, o DCE, trabalhou muito. Bravos companheiros. No entanto, queremos avançar...” (tese “Não pare na pista” ao 4º Congresso dos Estudantes da Unicamp, outubro de 2002, avaliando a gestão do DCE daquele ano). Sobre o DCE na gestão de 2003 (“Domínio Público”), avaliava que “Foi muito combativo quando lutou contra o plano mesquinho de ampliação de vagas do CRUESP, quando engrossou as fileiras dos povos de todo o mundo contra a invasão imperialista no Iraque, quando defendeu o aumento da assistência estudantil, quando uniu-se a professores e funcionários pelo reajuste de 25% de salários e, finalmente, quando fez a campanha contra Alca” (tese “Ruptura” ao 5º Congresso, setembro de 2003, página 13).
Essas coisas diziam aqueles que hoje dizem que nada foi feito, recurso que não deve, então, ser entendido como “sincero”, mas como eleitoreiro. Ainda que essas teses trouxessem também alguns pontos de crítica às gestões, os trechos anteriores demonstram que, naquela época, havia algo menos superficial a dizer do que hoje, por ocasião das eleições, é dito. E também, em boa parte das vezes, os vários grupos do movimento estudantil da Unicamp juntavam as suas forças com vistas a lutar contra um inimigo comum. Achamos que esse sentido do movimento deve ser retomado.
Por isso, consideramos que este documento pode contribuir para que os estudantes da Unicamp, calouros e veteranos, participantes ou não do movimento, possam conhecer um pouco da história recente do movimento estudantil da Unicamp. Ainda que tenham havido dificuldades e o movimento fosse longe do “ideal”, devemos verificar quais críticas às últimas gestões e aos seus militantes procedem e quais não.
Para contribuir com esse debate, vamos pegar as 44 propostas que identificamos no documento da chapa que diz ser “oposição às três últimas gestões” e que diz que essas foram inertes, equivocadas ou fechadas dentro de si, e verificar quantas dessas propostas já foram contempladas não nos últimos três anos do movimento, mas somente em um ano, da gestão “Domínio Público” (DCE de 2003). Isso não quer dizer que não se precise fazer de novo o que já foi feito; muitas das questões precisam ser retomadas e modificadas. Mas, algo já foi feito sim sobre essas bandeiras, a maior parte delas formulada nesses últimos anos de DCE. Como, poderia, então, ser real a crítica de que o DCE foi inerte ou equivocado, se a maioria das demandas são hoje colocadas por essa chapa que se diz “oposição”?
Em negrito e em maiúsculo estão sintetizadas as propostas dessa chapa e na seqüência o que já foi encaminhado sobre o assunto durante 2003 (não colocamos as frustrações, que com certeza existiram; a Avaliação feita pela gestão daquele ano é nesse aspecto mais completa). Este documento não deixa de ser uma homenagem àquelas e aqueles que participaram, estando ou não nas entidades estudantis, da construção recente do nosso movimento. E também é um incentivo àquelas e àqueles que se interessem em participar (ainda que o momento de desarticulação impeça um pouco isso), para que sintam a materialidade de uma luta que às vezes passa desapercebida, mas que também constrói a história e que por isso não pode parar.


01) CRITÉRIO SOCIOECONÔMICO NAS BOLSAS DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL: O DCE de 2003 conseguiu barrar a imposição de critérios meritocráticos naquele ano (foi defendido que os critérios deveriam ser exclusivamente socioeconômicos); o SAE passou a pedir o CR (Coeficiente de Rendimento do aluno), mas voltou atrás e não inclui esse critério no processo de seleção. 02) SUBSTITUIÇÃO DA BOLSA-TRABALHO PELA BOLSA-ESTUDO: A gestão de 2003 formulou sobre isso e encaminhou ações; esse ponto foi apresentado por membros da gestão no 5º Congresso (outubro de 2003) e uma reunião com o reitor sobre o assunto foi agendada. O DCE publicizou o processo que o Ministério Público tem contra a Unicamp por usar de trabalho irregular e precário, e levou este debate entre os bolsistas (através da Comissão aberta de Assistência Estudantil, de boletins e de passagem nas casas da moradia). Com a pressão, o movimento conseguiu duas importantes vitórias: os bolsistas não mais foram usados em trabalhos de risco e não-acadêmicos, e os projetos de extensão passaram a ter o direito de ter bolsistas. 03) MAIS BOLSAS-AUXÍLIO: O DCE conseguiu colocar para a comunidade universitária que as bolsas-auxílio eram em número insuficiente, e que uma ampliação de vagas deveria considerar esse aspecto da garantia da permanência. Após reunião entre a Comissão de Assistência Estudantil do DCE e o SAE, o coordenador do SAE se viu pressionado e colocou no CONSU (Conselho Universitário) do fim do ano o aumento de recursos para ampliar as bolsas-trabalho no ano seguinte. A ampliação foi de cerca de 20 bolsas, número insuficiente para a demanda; mas que foi uma conquista (ainda que paliativa) para o movimento; 04) MAIS ÔNIBUS NA MORADIA: A gestão daquele ano, em conjunto com os representantes discentes do PME (Programa de Moradia Estudantil), encaminhou por duas vezes junto à prefeitura do campus o pedido de ampliação de ônibus; foram inseridos 4 novos ônibus no período da manhã, os ônibus do horário do almoço (que antes não existiam) e mais ônibus à noite (é claro que ainda não é suficiente). 05) CONTRA AS RESTRIÇÕES DE ACESSO À MORADIA: As tentativas da Unicamp em impor regras de restrição são antigas; na virada de 2002 para 2003, o movimento conseguiu evitar a instalação de câmeras e a solicitação de documentos. As restrições só foram impostas em 2004, após a morte de um jovem não-morador no espaço da moradia; no andamento da questão já não havia mais DCE e, apesar das importantes iniciativas dos estudantes de debater melhor as regras que estavam sendo colocadas, a mobilização acabou esmorecendo nesses últimos meses. 06) MAIS ESTÚDIO NA MORADIA: O DCE debateu a falta de vagas (especialmente, de estúdio para casais) na moradia. Uma medida paliativa do PME foi a conversão de casas vazias em estúdio, o que está longe de resolver o problema. O 2º NaMorada, semana de festas e debates na Moradia em 2003, fomentou essa e outras discussões sobre a assistência estudantil. Foi trazido um pouco da memória da luta dos estudantes do movimento Taba (1986) em favor da construção da moradia. Em 2003, o PME foi estabelecido como órgão decisório da moradia, no qual havia representação discente em regime de paridade (graças à luta do movimento e dos moradores nos dois anos anteriores). 07) CONSTRUÇÃO DE MORADIA EM LIMEIRA: A discussão deste ponto estava no bojo da discussão sobre assistência estudantil. O DCE esteve junto com os estudantes de Limeira quando a reitoria se comprometeu a fornecer um ônibus gratuito para os estudantes da moradia de Campinas que estudam no CESET em Limeira. O compromisso não foi cumprido por parte da reitoria, e novamente os estudantes de Limeira e o DCE estiveram presentes em grande mobilização junto à reitoria. 08) FIM DO VESTIBULAR: O DCE participou de grupos de discussão e mobilização no campus e na cidade. Fomentou encontros (inclusive intermunicipais) entre cursinhos populares. Elaborou uma campanha junto aos vestibulandos da segunda fase do vestibular 2003. Realizou debates sobre o assunto. Dedicou a matéria principal da 3ª edição do jornal “Gerais” para discutir o vestibular em geral e o da Unicamp em específico. Os representantes discentes no CONSU cobraram a aceitação da isenção de taxa de inscrição de todos os aprovados no critério socioeconômico da Comvest (alguns estudantes tinham ficado de fora). 09) DEBATES COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS: Não houve na história do movimento estudantil da Unicamp um ano em que os movimentos sociais estiveram mais presentes do que em 2003: os cursinhos populares, os movimentos da Campanha Nacional contra a Alca, o movimento de cultura, o comitê municipal contra a guerra e contra a Alca, a 1ª Semana da Soberania (com debates lotados que alcançavam os estudantes por discutirem o que a questão tem a ver com a sua área: lingüística, física, sociologia, tecnologia, etc.), a Semana pela Reforma Agrária, o 3º Amigos do MST, a formação do Núcleo pela Reforma Agrária “Carlos Marighella” (que contava com a Unicamp e com a PUCC), movimento GLTTB (participação no mês da diversidade sexual, em Campinas, e na semana com o mesmo nome realizada na Unicamp; contatos com outros grupos), o movimento pró software livre, o movimento popular de saúde, arrecadação de alimentos e roupas e visitas a acampamentos do MST do estado de SP (por exemplo, o “Ceia da Terra”, em Cajamar, e o Estágio de Vivência em Acampamento do MST, nas férias do meio do ano), esteve presente na ocupação do terreno da Volks no ABC pelo movimento sem-teto, na questão dos moradores da Estação Mogiana (em Campinas), em atividades conjuntas com o movimento hip-hop de Campinas, no comitê municipal de democratização da comunicação, na luta pelo passe-livre ao lado do movimento secundarista da cidade, organizou uma exposição sobre educação no Fórum Social Campinas, etc. O DCE de 2003 esteve presente como a única contradição na UPA (Universidade de Portas Abertas), dialogando sobre assuntos como educação, universidade, vestibular, ALCA (arrecadação de assinaturas para o Plebiscito Oficial) e juventude, além de distribuir a terceira edição do jornal Gerais feito com enfoque voltado também para aquela atividade... isso com mais de 2000 secundaristas do Brasil que passaram por seu estande durante os dias de evento. 11) DISCUSSÃO SOBRE COTAS: Esse era um dos principais assuntos do 5º Congresso dos Estudantes da Unicamp (organizado pelo DCE em outubro de 2003). Foi encaminhada a realização de debate sobre o tema, e o posicionamento do movimento passou a ser: cotas por critérios socioeconômicos como medida paliativa, lutando pela universalização do acesso ao ensino superior e pela melhoria da qualidade no ensino básico. O movimento passou a contar com um representante discente no Grupo de Trabalho do CONSU que foi criado para discutir a questão e pensar propostas para a Unicamp. 12) INTERVIR NA CONSULTA PARA REITOR E NOS RUMOS DA UNIVERSIDADE: Quando a gestão de 2003 assumiu, Brito já era o reitor. O que a gestão fez foi retomar os pontos da Carta de Reivindicações que a gestão anterior tinha elaborado para pressionar a reitoria. Com certeza foi o ano mais intenso de enfrentamento com a reitoria, tanto no espaço institucional (a boa articulação dos RDs da Comissão de Graduação e as pressões feitas pelos RDs (representantes discentes) e pelo movimento no CONSU e nas congregações de unidades, por exemplo no processo inconseqüente de ampliação de vagas do CRUESP / Alckmin) quanto, principalmente, nos espaços do movimento. Por isso, a reitoria passou a ser mais incisiva nas ameaças de punições e na tomada para si do processo eleitoral para a escolha dos RDs (isso se concretizou em 2004, quando o DCE já estava desarticulado). Foi no CONSU que os RDs ficaram sabendo da possibilidade de aumento do bandejão de R$ 2,00 para 3,64, e levaram a discussão para o DCE, que puxou um intenso e bem sucedido movimento contra o aumento (culminando com um dia de catraca-livre no bandejão). Ainda sobre a representação discente, o DCE de 2003 organizou o “Fim de Tarde com os RDs” (que contou com a participação de mais de 50 representantes discentes, de todos os institutos) e o 3º Encontro de RDs. Foram debatidas as questões da qualidade dos cursos (diurnos e noturnos), do uso do programa PED (Programa de Estágio Docente), da falta de contratação e a precarização do trabalho do professor, do currículo, da avaliação institucional, do Provão (com ato em Campinas no dia do exame) e sobre os sentidos da formação universitária. 13) PARIDADE NAS ELEIÇÕES E NOS ÓRGÃOS COLEGIADOS: Em 2003, estudantes e funcionários do Instituto de Artes conquistaram a paridade na eleição para a direção do Instituto. O reitor quis intervir e fazer o IA voltar atrás (temendo a propagação da iniciativa), mas o movimento barrou esse golpe. O DCE realizou debates, publicações e uma festa que discutia a questão da paridade. 14) CRIAÇÃO DA SALA DE IMPRENSA: Esse é um projeto da gestão de 2003 do DCE. A idéia era usar uma sala da sede do DCE para colocar computadores, capacitar pessoas do movimento a manusear programas de diagramação e criação de impressos e sites, congregar as iniciativas de mídias impressas, eletrônicas e audiovisuais do movimento estudantil. A idéia era também realizar uma Semana de Imprensa, e outros debates. A Sala de Imprensa teve um piloto na Comissão de Comunicação do DCE, aberta a todos. A estruturação do espaço da Sala, contudo, por desprender recursos, seria sugerida para a gestão seguinte (2004), que acabou não realizando por conta da crise do movimento. 15) CRIAÇÃO DE UM SITE: Foi do meio até o final da gestão de 2003 do DCE a única vez em que a entidade teve um site de grande porte atualizado quase que diariamente. O que sobrou daquele site pode ser conferido em www.dceunicamp.hpg.com.br. O site foi divulgado pelo campus e contou, no seu auge, com cerca de 1000 visitas diárias. 16) JORNAL DO DCE: Na gestão de 2003 do DCE foi a primeira vez que o movimento estudantil consolidou um jornal em formato standart, com grande tiragem (10 mil) remetida a movimentos sociais e entidades estudantis de vários lugares do Brasil, além da versão digital que era remetida por e-mail. O jornal “Gerais” era realizado pela Comissão de Comunicação do DCE, e tinha periodicidade bimestral. A Comissão de Comunicação do DCE dava suporte às entidades estudantis e aos projetos de extensão na diagramação de seus jornais e boletins. Além disso, o DCE colaborou no comitê municipal que culminou no lançamento e campanha de assinaturas do jornal “Brasil de Fato”. 17) BOLETIM DO DCE: Na gestão de 2003 os boletins do DCE eram praticamente quinzenais. A tiragem variava entre 3000 e 5000 exemplares, distribuídas na saída do bandejão, nos institutos e na moradia. Foram criados, ainda, o Informijá! e o Informevou!, informativos rápidos do DCE afixados, respectivamente, em banheiros e em pontos de ônibus do campus. Houve ainda publicações especiais, como os cadernos de textos para o 3º Encontro de RDs e para o 5º Congresso dos Estudantes, além de cartazes. Naquele mesmo ano, através da Comissão de Comunicação do DCE, foi criado o projeto de extensão “Imprensa e Sociedade”, que contribuiu para a propagação de mídias do movimento e realizou algumas outras atividades sobre democratização na Unicamp em duas escolas de segundo grau de Campinas. 18) LISTA DE E-MAILS E INFORMATIVOS ELETRÔNICOS: Em 2003, o DCE criou o grupo de e-mails dce_informes@yahoogrupos.com.br, que contava com 800 assinantes. O DCE tinha também um arquivo com mais de 2000 nomes de militantes, intelectuais, parlamentares, repartições governamentais, entidades representativas, movimentos sociais e órgãos de imprensa, de Campinas e do Brasil. Para esses e-mails eram remetidos todos os boletins do DCE, as versões integrais do jornal “Gerais”, os cadernos especiais e outros informes da Unicamp e de outros movimentos sociais. Esses meios de divulgação externa (e-mail, site, jornal) pesaram internamente, pois as ações dos gestores da universidade eram publicizadas nacionalmente, e por várias vezes estes cederam à pressão do movimento com receio de terem suas “imagens públicas” maculadas (por exemplo, depois de um texto sobre o vestibular da Unicamp no “Gerais”, a Comvest ampliou o número de isenções de taxa do vestibular, atendendo naquele ano, segundo informações institucionais, a todos os estudantes de baixa-renda aprovados nos critérios sócio-econômicos). 19) TORNAR PÚBLICA A DOCUMENTAÇÃO DA GESTÃO: Até 2000, sequer havia um arquivo organizado com os documentos da entidade. Essa preocupação, que começou com a gestão “Ocupando Espaço” (2001), foi mantida com a gestão “Domínio Público” (2003). A preocupação com a memória do movimento estudantil também foi considerada, sendo arquivados (coisa que não acontecia antes) todos os boletins do DCE e de outras entidades do movimento. Começou a ser montada com sistematicidade uma biblioteca do DCE. Qualquer documento passou a ser localizável e a estar disponível para consulta no DCE, desde que não fossem extraviados. 20) ESPAÇO DO DCE: O ponto anterior complementa este. Em 2003, o espaço da sede do DCE era aberto e usado para várias atividades. Vários movimentos da universidade e de fora dela, vários encontros estudantis interuniversitários, várias festas políticas bancadas pelo movimento usaram do espaço da sede. Os pontos comerciais anexos à sede do DCE (cantina, xerox e papelaria) tiveram seus contratos reajustados, o que propiciou mais recursos para financiar as lutas do movimento. 21) CONTATO CONSTANTE COM OS CAs: Em 2003, os coordenadores do DCE se dividiam para acompanhar as reuniões dos CAs. Foi realizado, pela primeira vez, o “Fim de Tarde com os CAs", na sede do DCE, em que esteve presente, por exemplo, quase todos os centros acadêmicos da área de exatas. É algo recente na história do movimento estudantil (exatamente nos 3 últimos anos) que o CRU (Conselho de Representantes de Unidade) tenha quorum (no fim da década de 1990, isso quase não acontecia), graças a essa proximidade com os CAs. 22) PLANEJAMENTOS ABERTOS AOS ESTUDANTES: Além das assembléias e do CRU, que em 2003 aconteceram em grande número e participação, além dos encontros com os CAs e com os RDs e além do 5º Congresso dos Estudantes (este, pela primeira vez, contou com oficinas que podiam ser ministradas por qualquer estudante), as comissões, criadas pelo DCE em 2003, eram abertas a todos os estudantes. As comissões eram espaços de estudo, de planejamento e de encaminhamento prático; eram elas: a) Comissão de Projeto Pedagógico e Currículo, b) de Assistência Estudantil, c) de Movimentos Sociais, d) de Cultura e Esporte e e) de Comunicação. Convém lembrar que foi a partir desses três últimos anos de DCE (2001 a 2003) que o Congresso dos Estudantes da Unicamp passou a ser anual. No começo de 2003, a gestão do DCE convocou uma reunião de planejamento aberta para todos os CAs e estudantes com vistas a definir o calendário do movimento para o ano. 23) APOIO À EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 24) APOIO AOS GRUPOS TEMÁTICOS e 25) APOIO ÀS INICIATIVAS DE COMBATE ÀS OPRESSÕES: Boa parte dos coordenadores do DCE de 2003 veio de projetos de extensão. Na gestão, os coordenadores de 2003 continuaram participando de projetos, dos embates realizados em 2003 junto à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários e da articulação do movimento de extensão em torno do Grupo Aberto de Extensão (que se reunia todas as sextas-feiras). Em 2003, foi realizado o Seminário de Extensão e a elaboração dos cadernos de textos realizados pelo movimento (por exemplo, o Caderno ao Seminário de Extensão do IEL). Em 2003, CAs como o CAEF e o CALL puxaram seminários de extensão nos seus institutos. Quanto aos grupos temáticos, muitos deles ou foram puxados pelo DCE daquele ano ou contavam com o apoio da gestão: Sala de imprensa, Núcleo pela Reforma Agrária “Carlos Marighela”, Grupo Pró-Software Livre, Diversidade Sexual, Núcleo de Cultura, etc. O DCE também debateu (inclusive através da questão do esporte e do “culto ao corpo”) as questões do machismo e da homofobia. 25) APOIO AO SUBA: No final da gestão de 2003 do DCE, projetos de extensão, CAs e outros grupos se uniram para questionar o uso privado do espaço público da Unicamp, a ausência de um espaço físico para os projetos de extensão e para atividades culturais, etc. O prédio do antigo restaurante Subway (ao lado do bandejão) estava sendo negociado junto ao banco Itaú. A ocupação chegou antes e os 42 dias de ocupação diuturna do local (com atividades políticas e culturais e com a presença da comunidade externa no espaço) resultaram no compromisso assinado pela Unicamp de não ceder o espaço a nenhuma iniciativa privatista. Além disso, o SUBA ganhou um espaço perto do IG (do qual o PSTU nunca participou) e equipamentos de informática, de áudio e vídeo que propiciaram estrutura para os cerca de 20 projetos e movimentos que se organizam em torno do SUBA. 26) VIAGEM PARA ATOS POLÍTICOS, 27) IDA AO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL e 28) LUTA PARA AMPLIAÇÃO DA PORCENTAGEM DO ICMS DESTINADA ÀS UNIVERSIDADES PAULISTAS: O DCE de 2003 organizou ônibus para o Fórum Social Mundial (cerca de 300 pessoas), para os congressos da UNE e da UEE, para o ENEB (Encontro Nacional de Entidades de Base, no RJ), para atos contra as reformas (em Brasília), para a Campanha Salarial (em São Paulo), para o Encontro Jurídico sobre Alca (em Piracicaba), para o “Ceia da Terra” do MST (em Cajamar), para a ALESP (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, no quando da discussão da Lei de Diretrizes Orçamentárias LDO, espaço anual em que é discutida a destinação de recursos estaduais inclusive às universidades), etc. Mais do que viagens, eram espaços construídos antes nos espaços da Unicamp. A viagem à Brasília contra a reforma da previdência, durante a greve, foi (literalmente) antecedida por debates e pela apresentação da peça “Baden Baden”, de Bertolt Brecht (Turma Zero Zero); para o FSM, foram feitos espaços prévios para avaliar o Fórum anterior e para discutir o que o movimento podia esperar do espaço, e, posteriormente, espaços de avaliação do encontro. Os CAs se articulavam muito bem com o DCE na construção e no financiamento desses espaços e dessas viagens. 29) CAMPANHA CONTRA A ALCA e 30) CONTRA A INVASÃO DOS EUA AO IRAQUE: Nesse ponto vamos ver o que membros da chapa que se diz “oposição às três últimas gestões” pensavam sobre a maneira como o DCE de 2003 se portou frente a essas lutas: “Foi muito combativo (...) quando engrossou as fileiras dos povos de todo o mundo contra a invasão imperialista no Iraque, (...) quando fez a campanha contra Alca” (tese “Ruptura” ao Caderno de Textos do 5º Congresso dos Estudantes da Unicamp, setembro de 2003, página 13). 31) TEATRO, CINEMA, SARAU 32) INCENTIVO AO BIOARTE, AO MARTE E AO FEIA e 33) EVENTO DE HIP-HOP: Peças de teatro e filmes sempre compunham as festas e semanas temáticas que o DCE organizou em 2003. Por exemplo, no 2º NaMorada (moradia), foi exibido o filme “Babilônia 2000”, de Eduardo Coutinho, num grande telão ao ar livre. A peça “Baden Baden” foi encenada pela Turma Zero Zero no saguão do PB em ato contra a reforma da previdência, foi realizado o Luau “Não à Guerra”, na Praça da Paz da Unicamp. As semanas (da Soberania, pela Reforma Agrária, de Letras e Lingüística, Bioart, FEIA etc.) sempre contavam com shows (Pereira da Viola, Luiz Tatit, Orquestra de Viola, Naição Tainã , Cupinzeiro, bandas de alunos e da cidade de Campinas, etc.), filmes, saraus, exposições, happy-hours, apresentações circenses (“Ponte pra Lua”) e ciclos temáticos de cinema. Em 2003, vários CAs rearticularam seus cine-clubes, como o CALL (letras e lingüística) e o CACo (computação). Um grupo de hip-hop de Campinas foi convidado pelo DCE a se apresentar em um acampamento do MST durante o Estágio de Vivência de 2003. O DCE esteve presente na Comissão criada pelo CONSU para regular o uso de espaços da universidade; conseguiu organizar o movimento que barrou o aluguel do espaço do Ginásio da Unicamp para mega-produtores de shows comerciais, como o do Titãs em que faleceu um jovem trabalhador por conta de um tiro perdido desferido por um segurança da produtora. A Calourada Integrada e as Calouríadas de 2003 recepcionaram os calouros com duas semanas de atividades políticas, esportivas e culturais. A Comissão de Esporte começou a puxar um futebol misto no Muchachão (IFCH), que além de diversão, discutia os preconceitos de gêneros. A Bateria Pública foi puxada como um projeto de extensão, e esteve presente em várias atividades políticas do DCE e na periferia de Campinas. Foi organizado um Grupo de Discussão sobre Cultura, Esporte e Lazer durante o 5º Congresso (outubro de 2003). 34) FESTAS NO CAMPUS: Depois da proibição de festas no campus imposta pela reitoria em 2003, o DCE e o movimento passaram a organizar várias festas políticas pelo campus. Em algumas, houve enfrentamento com a segurança, ameaça de repressão da Polícia Militar e de corte da energia elétrica, uma estudante colocada sob cárcere privado por transportar bebida alcoólica, etc. Os problemas e as ameaças eram superados pela organização e criatividade do movimento estudantil. Os mais tensos e os mais intensos foram o 3º e o 4º Levante dos Possessos; em ambos, estiveram presentes mais de 2000 estudantes. Durante o III Manifesta, realizado em frente à Rádio Muda, foram apresentadas fotos (realizadas por estudantes) das Comunidades Quilombolas de Alcântara (MA) e sobre a base militar dos EUA naquela cidade. O DCE entendeu a conjuntura de proibição e o potencial de politização que aquelas festas continham (de, inclusive, discutir que a vida não se resume a um bom CR); hoje, a chapa que diz ser oposição e que em 2003 condenava o DCE por desprender muita energia para organizar as festas promete “festas constantes” na sua Carta-programa. 35) CONTRA A PRIVATIZAÇÃO, 36) CONTRA A ENTRADA DE BANCOS E EMPRESAS TRANSNACIONAIS, 37) CONTRA AS FUNDAÇÕES e 38) CONTRA OS CURSOS PAGOS: Em 2003, o DCE se colocou contra a privatização “branca” da universidade, com mobilizações por mais vagas públicas e contra os cursos pagos do CEL (Centro de Estudos de Línguas), abriu a caixa-preta dos contratos com a Motorola e a Ericssom, publicizou e enfrentou as propostas de privatização apresentadas no PLANES (Planejamento Estratégico Institucional, da reitoria), a cessão de espaço público para uso privado (por exemplo, em ato no dia da inauguração da Sala Microsoft na computação) e as privatizações da área médica (policlínicas e dos esboços da criação da fundação da área de saúde, a qual agora está se concretizando sem enfrentamento do movimento). O DCE enfrentou a direção da FEF (Faculdade de Educação Física) quando essa alugou seu espaço (e restringiu a entrada de outras pessoas) para o Colégio Integral (privado), por R$ 4 mil, num contrato feito de maneira irregular; no dia do evento, houve enfrentamento de estudantes do movimento com os seguranças do Colégio Integral, os quais, segundo norma da Unicamp, não poderiam ter entrado no campus para exercer atividade de segurança; por conta da pressão e da repercussão, a congregação da FEF vetou o aluguel de seus espaços. Através da ocupação do SUBA, o movimento levou a discussão sobre o uso dos espaços e impediu a instalação de um banco privado. A segunda edição do jornal “Gerais” trouxe a matéria principal sobre o assunto (ver: www.dceunicamp.hpg.com.br/gerais/). Ações essas que, inclusive, sensibilizaram movimentos sociais externos que tomaram conhecimento da questão através das mídias do DCE. Em algumas unidades, devido à pressão estudantil, as comissões de extensão locais vetaram os cursos pagos chamados de “extensão”. Mais do que simplesmente se colocar “contra”, o DCE buscou discutir a ligação que há entre o projeto de sociedade e o projeto de universidade pelos quais lutamos.

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Vimos, então, que das 44 propostas constantes na Carta-programa da chapa que diz ser “oposição às três últimas gestões”, 38 já vinham sendo contempladas pelo movimento, em especial durante a gestão “Domínio Público” (DCE 2003). Como pode, então, essa chapa agora dizer que o DCE foi pelego, que esteve paralisado, que esteve fechado em torno de si, que se equivocou em suas prioridades? Teria sido mais proveitoso discutir a maneira (a “metodologia”) pela qual esses pontos foram conduzidos, não simplesmente alegar inércia ou equívoco na seleção das prioridades. Vamos, pois, às 6 propostas que não foram enumeradas ainda. 38) NOVAS ALTERNATIVAS DE ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDANTES DO PAÍS e 39) LEVAR PARA OS ESTUDANTES ESSAS NOVAS ALTERNATIVAS: Em 2003, o DCE lançou um documento para o Congresso da UNE e esteve presente nele pontuando os problemas organizativos do movimento nacional (ver: http://www.dceunicamp.hpg.ig.com.br/publicacoes/outras/290403conuee.htm). Os coordenadores do DCE de então não se dispunham a disputar a entidade da UNE, pois a questão não era simplesmente trocar na direção, mas repensar a estrutura, as prioridades e as práticas. Isso alguns outros grupos de “oposição” não se dispunham nem se dispõem a fazer como direção. Por isso, é verdade que é preciso pensar novas alternativas, mas a alternativa proposta pela chapa que se diz “oposição” (o Conlute, criado pelo PSTU como alternativa à UNE) está longe de trazer essa “novidade”; pois, no Encontro Nacional contra a Reforma Universitária (RJ, este ano), em que o Conlute foi fundado, podia-se observar as mesmas práticas e formatos de congressos da UNE. 40) DISCUTIR AS RESOLUÇÕES DO 2º ENCONTRO DE PÚBLICAS: Isso é algo novo (o 2º Encontro foi em 2004), que não cabia aos DCEs anteriores, e que também não devemos fetichizar (alguns grupos do movimento gostam desse tipo de encontro só porque nele encontram os correligionários do partido, e o encontro acaba servindo mais pra isso do que pra de fato organizar o movimento). O que a gestão de 2003 buscou fazer foi debater e encaminhar as resoluções e apontamentos discutidos no 4º Congresso dos Estudantes (2002). Por conta da atual desarticulação do movimento, significativa parcela das contribuições e dos saltos que foram dados na Unicamp, materializadas no 5º Congresso dos Estudantes (2003), ficou à margem do embate político da universidade. 41) CICLO DE DEBATES SOBRE OPRESSÃO JUNTO AOS FUNCIONÁRIOS E PROFESSORES: Essa também é uma proposta muito válida, e, embora não a tenha conduzido especificamente junto aos professores e funcionários, o movimento estudantil em 2003 buscou levar essa discussão ao campus e, inclusive, para fora dele, em atividades como o mês da Diversidade Sexual, o debate sobre acesso e cotas junto aos vestibulandos da Unicamp e no Fórum Social Campinas, as discussões através de publicações nas mídias estudantis, através dos projetos de extensão, de atividades culturais (como a Bateria Pública) e através de apoio e participação em iniciativas de outros movimentos contra o machismo, o racismo e a homofobia. 42) PROJEÇÃO DE FILMES ANTES DA ESTRÉIA NO CINEMA: Não foi exatamente essa a “bandeira”, mas apresentações de filmes, debates em torno de filmes, cine-clubes, semanas temáticas aconteceram durante o ano de 2003 (ver o ponto 31). 43) CURSO LIVRE DE FILOSOFIA: A gestão de 2003 não realizou nenhum “curso livre de filosofia”, mas apoiou aulas públicas na cidade de Campinas e outros espaços educativos em que a comunidade externa era convidada a passar para dentro da cerca (aula pública do Cursinho da Moradia como parte de um ato pela extensão, atividades no espaço do SUBA, contribuição política e financeira para a organização do Cursinho Popular “Machado de Assis” no IEL, etc.). 44) CRECHE PARA FILHOS DE ESTUDANTES e 45) RÁDIO CEGA EM LIMEIRA: Essas também são bandeiras muito pertinentes. A questão da creche ganhou projeção recentemente, e, além de lutar por creches para filhos de estudantes, o movimento pode também lutar por creches para os filhos dos trabalhadores na cidade de uma forma geral, pois a defasagem é grande. A Rádio Cega precisa ser apoiada em sua retomada, o que não significa querer tomá-la para si (depois de estar pronta).

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